A
internet é um meio de comunicação no qual tudo acontece muito rápido. A
velocidade de propagação das informações é elevada, assim como a velocidade com
que essas informações caem no esquecimento. Um vídeo tem um pico de
visualizações num curto período de tempo, por todos os lugares todos o
comentam, mas na semana seguinte já não se fala mais dele. Esse é o vídeo
viral.
Na
internet, tudo envelhece rápido, torna-se obsoleto, ultrapassado. Só sua tia
ainda comenta sobre o vídeo do gato tecladista. Contudo, muitas coisas vão e
voltam, como é o caso dos hoaxes. Hoaxes são narrativas fantasiosas, geralmente
falam de conspirações, possuem quase sempre tom alarmista e pedem para que a
mensagem seja passada para frente. Quem nunca recebeu um e-mail alertando que
todos os bebês nascidos na Europa teriam de receber um microchip sob a pele? Ou
que para cada compartilhamento no facebook aquela garotinha com câncer
receberia 10 centavos de dólar?
A
internet tem sua própria dinâmica. Em tese, todos podem se expressar, o
ambiente é plural, democrático. Em tese porque poder falar não implica na
consequência de ser ouvido. Implica, no máximo, em poder ser ouvido. Mas nesse
ambiente aparentemente plural e democrático, não são todos os que possuem os
recursos necessários para se fazerem ouvir. Não podemos esquecer, também, que a
rede possui uma ancoragem física, ou seja, quando você hospeda algum conteúdo na
"nuvem", como se fosse algo abstrato e inacessível, você só está, na
verdade, salvando esse conteúdo em uma unidade de armazenamento que não a do
seu próprio computador, mas que possui uma localização física em algum ponto do
mundo.
Por
que, então, diante de tudo isso, criar um blog? Por que se dar ao trabalho de
escrever um texto, por exemplo, criticando o humorista que propaga o racismo
com suas piadas se, com um único tweet ou postagem no facebook, ele alcança
muito mais pessoas? A resposta reside no fato de que, independentemente disso,
as pessoas sentem a necessidade de se expressar. Essa necessidade varia de
pessoa para pessoa. Para algumas, uma conversa com os amigos já é suficiente
para supri-la, para outras não. Então, mesmo que somente a mãe e os amigos mais
próximos do Fulano acessem o "blogdofulano.blogspot.com", Fulano
ainda vai querer escrever, caso sua necessidade seja tal. Além disso, Fulano
pode gostar de escrever, pode acreditar que seja bom treinar sua escrita.
Fulano é como eu, exceto pelo fato de que nem minha mãe lê os meus textos. Ser
ouvido é muito importante, mas não é a única motivação para a fala. Por que
falamos sozinhos? Para organizar nossas próprias ideias e convicções em nossas
cabeças, talvez. Bem, que seja esse então o objetivo desse blog.
Renan
Almeida.
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